Cabo Verde desceu dez posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2026, elaborado pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), passando do 30.º para o 40.º lugar, com 71,98 pontos. O relatório destaca que, apesar do ambiente de trabalho ainda ser considerado favorável e da proteção constitucional da liberdade de imprensa, persistem fragilidades políticas e económicas, sinais de autocensura e preocupações sobre a influência do poder na nomeação de responsáveis dos órgãos públicos. A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) alertou para tentativas de intimidação, condicionamento editorial e precariedade financeira dos meios, citando casos recentes e problemas técnicos na agência Inforpress. O primeiro‑ministro Ulisses Correia e Silva rejeitou a ideia de pressões sistemáticas e defendeu que existem instrumentos legais e concursos públicos para assegurar a independência dos órgãos. A RSF insere a descida de Cabo Verde num contexto global de retrocesso da liberdade de imprensa, apontando uma queda geral do índice ao nível mais baixo em 25 anos.