Desde a segunda metade do século XIX que cidadãos cabo-verdianos e seus descendentes se estabeleceram nas zonas portuárias da província de Buenos Aires — Dock Sud, Ensenada, La Plata e Mar del Plata — formando comunidades que preservam laços culturais e redes de apoio. Organizações como a Sociedade Cabo-verdiana de Socorros Mútuos, fundada em 1932, desempenharam papel central no acolhimento e na mobilização política e social. Líderes como Miriam Gomes combinaram ação comunitária e ativismo contra a discriminação racial, enquanto novas gerações, exemplificadas por Patrícia Gomes, levaram a presença cabo-verdiana ao âmbito académico, com uma disciplina sobre direitos das comunidades negras na Universidade de Buenos Aires. Ao longo do tempo estas associações adaptaram-se — de serviços de socorro mútuo à luta pelos direitos humanos e pela visibilidade afrodescendente — mantendo vivas as ligações com Cabo Verde e contribuindo para a diversidade cultural da Argentina. Depoimentos recolhidos entre novembro e dezembro de 2024 retratam essa história e os desafios atuais de reconhecimento e representação.

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