Sociólogos cabo-verdianos alertam que a atual vaga migratória, intensificada após a pandemia, está a enfraquecer as redes familiares que acolhem crianças quando os pais emigram, e pode tornar‑se tema central na campanha para as legislativas de 17 de maio. Redy Lima e Elísio Semedo apontam causas múltiplas — facilitação de políticas migratórias para Portugal e Europa e um crescente mal‑estar interno, com aumento do custo de vida e falta de oportunidades — e sublinham a saída de jovens qualificados e o risco demográfico face à queda da natalidade. Os especialistas dizem que, quando as redes informais falham, cabe ao Estado assegurar suporte, e alertam para efeitos já sentidos em sectores como o turismo e a construção. Dados consulares apontam para um aumento de 62% nos pedidos de vistos entre 2023 e 2025 e 6.894 vistos com fins laborais no último ano. Há, porém, leituras divergentes na política: a oposição associa a emigração à falta de oportunidades, enquanto o Governo destaca as oportunidades no exterior.

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