Na véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o aumento dos ataques contra jornalistas e para um nível de impunidade que classificou de “inaceitável”, lembrando que cerca de 85% dos crimes não são investigados. Guterres apontou para riscos crescentes — da censura e vigilância ao assédio legal e à morte — e sublinhou a importância da liberdade de imprensa para os direitos humanos e a coesão social. Em Cabo Verde, a Associação Sindical dos Jornalistas (AJOC), através do presidente Geremias Furtado, exortou os profissionais a manterem-se firmes diante de problemas locais como precariedade laboral, autocensura, fragilidade das redações e tentativas de intimidação. A AJOC alertou ainda para a falta de clareza legal sobre o segredo de justiça (artigos 112 e 113 do Código Penal), a desigualdade de apoio estatal entre meios públicos e privados e a erosão salarial. A associação anuncia a divulgação do Prémio Nacional de Jornalismo e prepara uma conferência sobre desinformação e “fake news”.